quinta-feira, 18 de maio de 2017

Magnificência

Ao levar minha filha à escola pela manhã, reconheci mãe e filha do meu bairro fazendo a caminhada matinal. 

No momento pensei: “ainda não caminhei um dia esta semana”; para depois pensar: “nossa, nunca caminhei com minha mãe”.

Meu pensamento foi interrompido pela filha aumentando o volume do som para também ouvir o mantra “So much magnificence”,  que justamente fala da grandeza que nos chega todo dia. Por um momento achei interessante ela querer ouvir, geralmente entra no carro com mau humor, se queixando sempre dos meus mantras; senti-me grata por vê-la tranquila e compartilhando daquele momento comigo. Estávamos caladas - como aquela mãe e filha - mas compartilhando do mesmo momento de paz.

Isso me fez pensar que preciso urgente parar de "julgar" as pessoas, de repente, aquela mãe e filha também compartilhavam do mesmo silêncio... ou da mesma dor (vai saber...), mas ao fazer o retorno para casa elas atravessaram minha frente e pude ver os fones no ouvido da filha.

Fiquei reflexiva por ela por muitos motivos: também tem filhos e não se deu conta
que essa história pode se repetir; que exatamente amanhã ela poderá acordar órfã de mãe e nunca mais caminhará pela manhã em sua companhia... ou poderá mais tomar um cafezinho na casa da mãe depois de deixar as crianças no colégio... Quantos dariam de tudo para ouvir novamente a mãe cantarolando sua música predileta, com a barriga no fogão ou no tanque? Rubem Alves dizia que a vida não pode ser economizada para amanhã, ela acontece sempre no presente... e não é hoje, o presente, senão um presente diário?

Sabe, eu e minha mãe temos nossos defeitos e nossas diferenças, mas quando penso nela caminhando ao meu lado, eu não consigo me imaginar usando fones de ouvido mesmo sabendo que ela tagarela demais rs. Na verdade, penso que será uma grande disputa pela palavra, afinal, assim como ela, eu também tagarelo demais.

Pensar como será deu-me a idéia de convidá-la para compartilharmos juntas do amanhecer do dia, ou do esquentar da tarde, ou ainda do esfriar como pôr-do-sol nesta época do ano... Mesmo ainda não feito, fico feliz por saber que o silêncio - ou um fone de ouvido - nunca será uma ponte entre nós. De todos meus defeitos que reconheço (e de muitos que ainda não devo enxergar) este pelo menos não carrego, e constantemente reconheço que o presente é Sagrado! 

E assim todos devemos o tratar, afinal, a única coisa que nos é certa nesta vida é que morreremos, e a grande façanha é que não sabemos quando. Posso terminar de digitar este texto e infartar, posso atravessar a rua e ser atropelada, posso sentir fortes dores de cabeça e um aneurisma me levar ao óbito... e vamos ser sensatos, não há como não sermos pragmáticos! É a vida...

O mantra abaixo diz que "um oceano de amor vive dentro de cada coração, é a fonte de paz para a alma e a fonte de paz para o mundo". Vamos então deixar transbordar este sentimento para não nos arrependermos daquilo que não deu tempo de ser feito. 

Não somos capazes de "amar a todos como se não houvesse amanhã", mas podemos reverenciar o presente, dar nosso melhor à nós mesmos e a todos que cruzarem nosso caminho, hoje... só hoje.

Como disse Bezerra de Menezes: "Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos".

Namastê





quinta-feira, 21 de abril de 2016

Bela, recatada e dólar

Uma reportagem publicada pela revista “Veja” traçando um perfil de Marcela Temer na última segunda-feira, vem fazendo barulho nas redes sociais. A mulher de Michel Temer, vice-presidente do Brasil, foi definida como “bela, recatada e do lar”.

A matéria provocou um tsunami de posts no Facebook,  criados por mulheres em tom de crítica à reportagem, fazendo  pipocar fotos de mulheres no bar, na pista de dança, bebendo com as amigas...sendo o que querem ser – e daí?

Toda essa zoação - mesmo publicada de forma sutil e ‘recatada’ (nunca é) - revela nada mais que o machismo não tem mais passe livre.

Prova disso? E se o vice-presidente fosse uma mulher de 75 anos casada com um jovem de 32 anos? A mídia acharia seu esposo exemplar por não trabalhar, ser do lar e dedicado à educação da prole, ou um gigolô interesseiro?

Por conta deste bafafá, vejo na internet algumas mulheres se revoltando e defendendo a quase primeira dama, titulando-a de a nova Grace Kelly, e nos chamando de invejosas, sendo que nem é esta a questão:  o X do problema está em julgar que a mulher é um exemplo a ser seguido só porque tem um rosto bonitinho... desde quando só é 'esposa perfeita' se está dentro de casa cuidando da prole e do marido?

Cliquem na imagem abaixo que provo pelos comentários se não são descaradamente interesseiras... Agora nós, as emancipadas que estamos erradas?



O título da matéria deveria ser: "bela, recatada e dólar”, isso sim!

Eu não vejo mal nenhum em querer ser 'do lar', afinal, cada um tem o livre-arbítrio para fazer o que pensa ser o melhor para si, mas quando vejo mulheres que não precisam trabalhar abrindo mão da responsabilidade de educar seus filhos, e jogando esse dever para as escolinhas, compreendo o porque na geração atual as crianças são cada vez mais caprichosas,,, mas até essas mulheres tem o direito de escolher, de não querer resumir suas vidas nesta única função... claro que deveriam adotar outra postura em relação à educação dos filhos, afinal, já comprovou-se que qualidade importa muito mais que quantidade. Mas se nos perguntarem, com certeza todas gostaríamos de acompanhar melhor o desenvolvimento dos nossos filhos: eu própria tive a oportunidade disso com o primeiro filho, mas não quis esta opção quando tive a segunda filha, porque me resumir nessa capacidade única de cuidar da família soava pouco e restrito demais para tudo que sou capaz de fazer. E por mais que eu não queira ser totalmente feminista, meu exemplo o é:  me divorciei há 10 anos atrás, assumi sozinha três filhos, tive que sair procurar emprego, deixar filhos cada dia na casa de um parente para poder voltar a estudar, para hoje ter uma flexibilidade maior de horários, dispensar a presença de uma babá e cuidar da casa e deles do meu jeito, pagar minhas próprias contas... mas detalhe: sem um marido/amante, ou outra figura masculina ao lado porque não preciso ter alguém para assumir este papel só com pretensão monetária, porque para mim companheiro é muito mais que isso! Mas como já experienciei estar dentro do casamento, posso garantir: eu prefiro estar fora, fazer minhas escolhas, não ter que engolir sapos, rãs, serpentes... sem falar que a liberdade e emancipação não tem preço nem palavras para definir o quanto é magnífico!

Agora, as beatas e corochinhas vem nos dizer que lugar de mulher exemplar é dentro do lar? E nossos exemplos, coragens e lutas? Pensa que qualquer dona-de-casa aguentaria? Saibam que isso é coisa de Diva, qualquer  uma não aguenta porque é muito mais cômodo e confortável estarem (mal) casadas e reconhecidas socialmente como boas esposas; sabemos que este papel é aplaudido por toda sociedade, mas este título ou esses 'louros', é um preço alto demais para quem vive livre: como conseguem ter a alma enjaulada em troca de umas migalhas de roupas, viagens e carro do ano? Deveriam ganhar o Oscar de melhor atriz isso sim!


Não é fácil ser sozinha, assumir a parte maior da educação dos filhos, arcando com as despesas deles e da casa: você não vê a cor do dinheiro!kkkk Esses dias vi um conhecido passar com um carro novo e reclamei que até aquele peão conseguiu trocar de carro... minha caçula me tocou, e antes de me presentear com um beijo de reconhecimento, concluiu: "mãe, entenda que ele não tem nenhum filho, enquanto você tem três!"

Ela tem razão... e me fez sentir toda orgulhosa da pessoa que me tornei. Hoje reconheço que posso não agradar 'a sociedade', nem estar dentro dos padrões de beleza buscado pelas mentes fúteis, mas ainda assim posso dizer que sou bela, poderosa, recatada, dona de casa, e acima de tudo, mulher! Não preciso de platéia para me reconhecer uma diva, por isso pouco importa os julgamentos... só tenho a dizer que eu sinto muito por todas... sinto muito que, para aguentar a vidinha medíocre que levam, não fazem tudo que querem (ou se fazem é escondido), dão satisfação de tudo (mesmo odiando), e para aguentar o tranco, vivem dopadas de diazepan, rivotril ou fluoxetina... 

Enquanto nós...nós nos enchemos de vida!








quinta-feira, 10 de março de 2016

Gente que mora dentro da gente - parte 2

Continuando a postagem anterior, estendo o convite de mergulhar mais um pouco para dentro de você, através da leitura de "A Travessia".

Neste livro Anthony Spencer faz uma viagem: a travessia para dentro de si! Ele era um homem que não carecia de bens materiais, riqueza e poder, pelo contrário: esbanjava-os. Mas o preço dessas conquistas efêmeras foi tornar-se um ser insensível, egocêntrico, sozinho e vazio.

É quando a vida se encarrega de transformá-lo, antes que faça 'a travessia' para o lado de lá: vestida de morte, ele recebe sua sentença num momento em que ele não tempo de cuidar da saúde, muito menos de usufruir da sua riqueza; vítima de um derrame cerebral que o leva ao coma, ele vai despertar dentro de si num universo irreal, num cenário assustador, mas é o cenário que retrata o que cultivou em seu próprio íntimo.

Nesta 'viagem' conhece os dois únicos moradores desse lugar: um homem misterioso que atende por Jesus, e uma idosa que diz ser o Espírito Santo - ambos amorosamente colaboram para que ele se reconheça. Petrificado de tanta dor com o que enxerga, suplica ao Criador uma oportunidade de consertar sua vida, e sendo atendido, retorna ao planeta Terra, mas dessa vez dentro de olhos alheios! E 'habitando' cada momento um corpo diferente, ele passa a enxergar a vida de outra forma, compreendendo assim outros pontos de vista. 

Será na relação afetiva com  esses outros personagens que ele analisa sua existência e desperta para a verdade, reconhecendo que renunciou à convivência com todos e a tudo o que é mais sagrado, em prol das velhas ilusões. É quando a verdade o faz querer se redimir, tanto para ajudar as pessoas que ama, quanto as novas que aprendeu a amar!

Dessa forma o autor permiti que mergulhemos junto, mas para dentro de nós. Quem aqui tem coragem de encarar sua própria verdade? Não há como ignorar que somos os únicos responsáveis pelas nossas vidas e nossos problemas! Será quando reconhecermos que não existe outros culpados, que assumimos que tudo o que vivemos são as sequelas dos caminhos que escolhemos, porém, o lado bom de aceitar tanta coisa a contra-gosto, é saber que enquanto houver vida, sempre haverá a oportunidade de recomeçar!

Eu sei que todos somos atarefados demais para pararmos e fazermos essa reflexão; nos empenhamos tanto na busca pelo êxito material que não atentamos aos raros momentos com os outros, mas principalmente, aos raros momentos conosco. Se perguntarmos sobre momentos felizes, não há quem não remeta à inocência e às brincadeiras da infância, e se pararmos para pensar naquela época, precisávamos de dinheiro para sermos felizes?

Esta é uma linda história que irá tocar o coração de quem lê, levando a refletir que nosso livre-arbítrio não atinge somente nós, mas igualmente as pessoas ao nosso redor, afinal, somos todos um não é mesmo? Então não perca a oportunidade de se dar essa espiadinha! 

E falando em espiadinha...ahhh, os olhos. Eu não consigo explicar a mistura de emoções e encanto que sinto nessa breve eternidade de olho no olho. Dizem que eles são as janelas da alma, e eu diria mais: que são também as vitrines do coração, que ao contrário da boca, não desmenti sentimentos. Então permita-se olhar por esta janela, mas primeiro para si, e reconheça-se como a criação mais perfeita que seu criador poderia criar e moldar! 

Apesar deste livro ser do mesmo autor de A Cabana, ele não é uma sequência dela, mas como ela, também aposta na idéia de combater a distância que se estabeleceu entre o Homem e Deus, e eu diria mais - em outras palavras - entre Nós e Nós Mesmos, afinal, a maior religiosidade é sermos sinceros conosco, é reconhecer o sagrado presente em tudo e em todos, nos incentivando a explorar o potencial humano, a dar nosso melhor, e a amar as pessoas como elas são, ou seja, com suas limitações.

Difícil? Mas ninguém disse que seria fácil! 

Eu ainda acredito na possibilidade de todos despertarem seu melhor... e você?





domingo, 14 de fevereiro de 2016

Gente que mora dentro da gente - parte 1

Desde que me lembro por gente, só lembro de críticas a meu respeito. As pessoas sempre me elogiaram pelo dinamismo, a capacidade de armazenar informações, a desenvoltura com os livros e com esporte, mas sempre criticavam:

"Você é xereta, quebra tudo" - enquanto eu só fui (ainda sou) curiosa
"Você é muito hiperativa" - sendo que eu desde cedo só anseio viver e aproveitar tudo como se fosse meu último dia de vida
"Você é muito bocuda!" - corrigindo, sincera e autêntica
"Se você não mudar, vai sofrer muito na vida." - e sofri muito, principalmente por não ser aceita, mas ainda bem que hoje consigo estar do outro lado.

Por que ser diferente nos faz sofrer? Que atire a primeira pedra quem nunca sofreu ou não sofre por qualquer bobagenzinha! Porque o sofrimento faz parte da condição humana, do nosso crescimento moral e espiritual, e ter problemas não significa não ser feliz.

Esse mal estar é ocasionado porque insistimos em achar o jardim do vizinho mais verde. TODOS temos problemas, angústias, dificuldades emocionais, mas nem todos demonstram, daí quando aquela amiga rica e linda posta fotos sorrindo ao lado do maridão perfeito no facebook, você a inveja e se senti mal porque a vida não sorriu para você. 

Mentiras. As pessoas carregam seres dentro de si, que se alimentam desses (res) sentimentos para sobreviver. Esse tipo de fotos não significa que esse casal é feliz, muito pelo contrário: insistir em declarar sempre e publicamente a paixão pelo parceiro talvez seja uma forma de se convencer disso, convencendo os outros primeiro.

Todos nós angustiamos atingir a felicidade plena, e o caminho para isso apesar de árduo, é tão simples. Talvez não dêem atenção às minhas pobres palavras ou a minha simples experiência porque eu só tenho trinta e sete anos (pronto, contei e dessa vez não aumentei), mas assim como muitos, vivi muita coisa desde tão cedo, e com tudo ainda o que tenho para viver, já pude entender que essa tal felicidade não existe. Muita gente passa a vida buscando por ela, e só lá na frente, no finalzinho, se dá conta de tudo que poderia ter feito, e dos 'momentos felizes' que deixou de viver (ainda bem que eu descobri isso há tempo).

Claro que aconteceu muita coisa para eu chegar até aqui, mas essas vivências permitiram que hoje eu não me desespere tanto com os problemas; quando eles acontecem eu penso: 'são só problemas e passam, como passa tudo na vida'. Quando aprenderem que não existe mal nem bom, que tudo é somente e-x-p-e-r-i-ê-n-c-i-a, lidarão melhor com os infortúnios,  não se colocando no papel de vítima, e experimentando o que a vida lhe manda junto com eles: uma grande lição! E dentre todas elas, a mais importante foi me aceitar como sou.

Sabe, se neste momento eu estivesse no meu leito de morte, deixaria meus filhos e entes com muito pesar, mas iria em paz porque não carrego mais mágoas, arrependimento ou pecado, porque até esses eu já paguei o preço das escolhas feitas. Eu só vivi, e me atrevi a ser intensa nas minhas experiências e relações, por isso sou leve, feliz e grata por tudo que fui, me tornei, sou.

Problemas vem e vão, e mal se vão, chega um novo. Se encararmos com maturidade, reconheceremos que em cada fechamento de ciclo nasce um novo eu mais próximo (ou menos longe) da perfeição. Infelizmente poucos se dão conta disso e acham que estão nesta vida á passeio,  mas fico feliz por você que consegue aceitar essas mudanças e se melhorar. 

Eu por exemplo, passei quatorze anos da minha existência tentando mudar para agradar um homem que não gostava do meu jeito espontâneo e intenso de ser, que me mandava ficar quieta quando eu queria compartilhar um livro legal que li ou me reprimia quando eu só queria rir com os rins! E como punição, eu sofria, me culpava por não conseguir, era infeliz e o fazia infeliz também. Foi quando tomei a decisão mais difícil da minha vida e me atrevi a estar só: embarquei na psicoterapia, nos estudos de psicologia e antropologia, nos pratos ecumênicos das palavras, para então me descobrir e me reinventar, me compreender e me aceitar como sou - aliás, como todos nós somos: seres em evolução (não gosto da palavra imperfeito)! Sim, eu disse todos nós, porque todos nós carregamos a mesma angústia, o mesmo anseio, e todos esses Eus, que na maioria das vezes rejeitamos, escondemos dos amigos, e nos iludimos achando que é possível mantê-los trancados em algum buraco negro interno.

Imaginem que existam vários Eus morando dentro de um espaço que você chama de 'Você'. Não importa o lugar que eles ocupam aí dentro (para quem quiser se aprofundar, basta ler um pouco mais sobre o aparelho psíquico descrito por Freud), mas é fundamental reconhecer que eles existem e ocupam um lugar. Outra curiosidade é que eles não se conhecem - ou fazem de conta - porque cada um deles tem uma opinião diferente sobre todas as escolhas que você faz, e antes mesmo da sua família ou de seus amigos opinarem, eles são os primeiros a interferirem e determinarem qual caminho deve seguir. Já imaginou a confusão?

Um exemplo típico disso, é aquele período de tensão pré-mentrual que a maioria de nós, mulheres, passamos. Nestes dias, ficamos insuportáveis, lidamos agressivamente com algumas situações, que em outro momento tiraríamos de letra. Será? Ou será que nesse período é um desses Eus que aproveita da fragilidade dos hormônios para se rebelar?

Desafio-lhes a responderem à pergunta: COMO ESTOU HOJE?

Aproveitei me perguntar também, e para minha não surpresa, a resposta de dias atrás mudou: eu estava muito feliz por voltar trabalhar no antigo emprego, cuja comissão gorda tiraria meu pé da lama, pagaria algumas dívidas, e me proporcionaria finalmente a viagem dos meus sonhos... Mas acontece que essa semana fatores externos interferiram no meu humor, as vendas quase não aconteceram, e um dos meus monstrinhos insiste em dizer que não é a crise atual, mas que o problema sou eu, que não tenho mais privilégios neste lugar e tals...me deixando insegura e incrédula. Por isso resolvi escrever sobre esse momento, para identificar a causa e o conjunto de todas essas emoções, e ver se esse mal estar passa - porque só passa quando esse 'monstrinho vê que não damos força/energia... e como conseguimos isso? Não dando atenção a esses pensamentos, sendo positivos, etc.  (PS: E estou lhes confiando isso bem baixinho, porque se ele ouve estou ferrada, ele é  perito em me auto-sabotar!)

E você? Também oscila o humor às vezes, frequentemente, ou é auto-controlador (a), e não se permite extravasar? Desculpe-me afirmar, mas até esse auto-controle não é você, é um desses seus Eus no comando, e lamento dizer que um dia ele lhe passará uma rasteira, e você que super controlou a vida de todos à sua volta (em casa, no trabalho, na relação amorosa), ironicamente não saberá como lidar consigo própria pois perderá o controle para 'eles'!

Se você está cansado de sofrer, se sua vida amorosa vai de mal a pior, não sabe como lidar com o desemprego ou suas dívidas aumentam a cada dia, venha para a igreja universal (brincadeirinhaaaa! Desculpem os evangélicos, mas tenho um monstrinho sarcástico que sempre faz essas piadas irônicas, e dessa vez eu deixei ele se pronunciar para vocês verem que é normal, todo mundo tem um também!) que tal embarcar para uma viagem diferente? Uma viagem interior?

Para você que é leigo não se matar de ler e no final não entender patavida de nada da leitura densa que proporciona a Psicanálise, venho sugerir um livrinho fofo, colorido, didático, que lhe convidará a viajar para dentro de si, e onde a própria autora será o guia turístico que levará você ao encontro com todos os seus Eus.

De um jeito didático - como nas fábulas infantis - você compreenderá o quanto o tal de Ego controla e media suas relações, afinal o Id (seus impulsos) insiste em lhe colocar em situações complicadas. E embora digam por aí que esse tal do Ego não é bonzinho e é o culpado pelo jeito que você se assumiu como pessoa, você descobrirá o contrário, assim como nós, ele é maternal e faz certas coisas somente para nos proteger (mas reconheço, às vezes essa super-proteção nos impede de voar!).

E se você se permitir embarcar, por favor, não vá de avião à jato, pegue algo mais simples, rudimentar e lento como um vagão de trem, assim poderá contemplar detalhadamente todas as suas paisagens. Não vou mentir que você descobrirá alguns lugares de arrepiar e parecidos com campos de concentração nazista, mas você tem a chave dessa passagem, se não for o momento, deixe para depois, Mas será muito importante se conseguir reunir toda a coragem do mundo para fazer essa travessia, afinal, você já está ali mesmo, e perto de tudo que já enfrentou, que mal poderá fazer esses Eus? Lembram daquele filme que víamos na Sessão da Tarde, da fantástica "Viagem ao centro da Terra"? Pois então, essa será tão surpreendente e incentivadora quanto, só que a fantástica viagem será para dentro de você!

Deixo aqui esse mágico e encantador livro, e desejo sinceramente que quando você voltar dessa jornada, você se dê conta do quanto é especial, que não precisa mudar para agradar ninguém, nem precisa de dinheiro para ser mais feliz. Lembrem-se: as coisas mais importantes da vida (e você melhor que ninguém sabe disso) são aquelas que nenhum dinheiro precisou comprar.

Então, boa viagem!


sábado, 13 de fevereiro de 2016

As funções dos pais na família monoparental

A família hoje é considerada o sistema que mais influencia diretamente o desenvolvimento da criança, porque possui um lugar primordial no crescimento emocional desta, além do grupo familiar ser o primeiro sistema no qual a maioria das crianças experienciarão as primeiras situações de aprendizagem e introjeção de padrões, normas e valores, e quando o grupo família não funciona adequadamente, as interações pais-filhos-sociedade, são prejudicadas. 

Antes de falarmos sobre o apego à mãe (ou outro cuidador que a substitua), vamos compreender a dinâmica familiar, seu desenvolvimento e contexto moderno de sua função. Segundo o dicionário Aurélio, função é posição, papel, atribuição. Já do ponto de vista psicanalítico, é o papel exercido geralmente pelos pais, envolvendo cuidados, estabelecimentos de regras e vínculos afetivos.

Encontramos na Constituição Federal, Artigo 226, parágrafo 4º: "Entende-se, também como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”. Ou seja, ainda que o filho conviva com apenas um dos genitores, a dupla é considerada uma família para os efeitos legais. Assim, famílias monoparentais (casos de concepção, adoção independente, divórcio ou viuvez, a presença única do pai ou da mãe) também são consideradas vínculo familiar. 

Diz o artigo 25 do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente: Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes”. Parágrafo único: "Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou o adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade".

O entendimento da Legislação é importante pois norteia o conceito família e o exercício de suas funções, mas será através da perspectiva psicanalítica que ampliamos a compreensão desta.

Segundo o psicanalista Donald Winnicott (1996), a presença da 'mãe suficiente boa' (que pode ser substituído por outra pessoa que exerça as mesmas funções) nos primeiros dias de vida do bebê é fundamental para seu desenvolvimento emocional. Ele usa esse termo porque não precisa se descabelar para ser a melhor e mais perfeita mãe do mundo, mas suficiente o bastante para atender às necessidades do filho (você sempre dizia isso né Anecí?rs).

Entre as várias funções maternas, Winnicott destaca as principais, que possibilitam um ambiente propiciador ao desenvolvimento físico e emocional saudável da criança: a função de Holding (segurar). Essa função tem muita relação com a capacidade da mãe de identificar-se com seu bebê, atendê-lo nas suas necessidades físicas e psicológicas, e até a função de manipular - que vai facilitar a formação de uma parceria psicossomática na criança, contribuindo para a formação do sentido do “real”, por oposição a “irreal”. E a função de apresentar objetos, que torna real o impulso criativo da criança e dá início à capacidade do bebê de relacionar-se com objetos.

Em relação à função paterna, Winnicott explica que o pai se torna necessário para dar à mãe apoio moral, ser um esteio para a sua autoridade, um ser humano que sustenta a lei e a ordem que a mãe implanta na vida da criança. Ele não precisa estar presente todo o tempo para cumprir essa missão, mas tem de aparecer com bastante frequência para que a criança sinta que o pai é um ser vivo e real (1982, p.129).

Ainda segundo o autor: O pai [...] acaba entrando na vida da criança como um aspecto da mãe que é duro, severo, implacável, intransigente, indestrutível, e que, em circunstâncias favoráveis, vai gradualmente se tornando aquele homem que se transforma num ser humano, alguém que pode ser temido, odiado, amado, respeitado (2005, p.127).

Zimmerman concorda com este ponto de vista ao afirmar que a entrada da figura paterna ocorre através da mãe, porque será ela quem inscreve o pai ou seu substituto, na vida do filho através da atitude e do seu discurso, incluindo o pai na vida da criança para exercer as funções paternas e contribuir para a construção do seu psiquismo. Cabe ao pai 'intrometer-se' nessa relação dual mãe-filho para mostrar à criança que ele não é o objeto exclusivo da mãe, e vice-versa.

Acontece que o desejo de ter um filho permeia a imaginação feminina tanto quanto a masculina, e a única diferença é que para a mulher o desejo de ter um filho é recompensador pois a gestação é um estado exclusivo dela. Mas na verdade o desejo de ter um filho é  muito mais que isso: segundo Cramer e Brazelton, se origina da identificação com os cuidados maternos recebidos na infância, o desejo que a pessoa tem de conservar uma imagem idealizada de si mesma como um ser completo e onipotente, o desejo de duplicar a si mesma ou espelhar-se e o desejo de realizar os próprios ideais (1992, p.13). Dessa forma, um filho nasce devido aos desejos conscientes e inconscientes, e para homens e mulheres somente existirá as diferenças na genealogia do desejo e na forma como desempenham suas respectivas funções.

Acerca da figura paterna esses mesmos autores trazem a seguinte colocação: O reconhecimento do papel do pai ajuda a mãe a ver o bebê como um indivíduo separado de si mesma. Se permanecer consciente de que sua gravidez resultou de um ato tanto do pai quanto dela mesma e, idealmente, do desejo paterno de ter um filho, não cairá presa da ilusão de ser a única responsável pela produção do bebê (1992, p.28). O pai exerce influência direta sobre o desenvolvimento da criança, influência essa que é enfatizada pelo apego existente entre ele e o filho desde a primeira infância. Este apego é mediado pela atitude da mãe em relação ao papel do pai (1992, p.49).

Como é a mãe que apresenta o pai ao filho, este "enxerga” o pai com os olhos da mãe. A condição masculina de pai é em princípio desconfortante, pois ele geralmente é excluído da díade mãe-bebê: a esposa desvia quase toda, ou toda sua energia e atenção para o bebê; também a mãe se torna o centro da atenção para outras pessoas... Mas e o pai? Ninguém pergunta como ele está se sentindo neste período de adaptação. E quando lhes damos vozes, todos se queixam da exclusão! 

Um pai e uma mãe não nascem prontos e acabados, mas são construídos e as funções parentais são aprendidas, aprimoradas no decorrer do percurso, e será de acordo com as necessidades do filho que os pais pensam, agem, e mudam tudo a sua volta. Mas a Psicanálise traçou um panorama de como estas funções influenciam diretamente no desenvolvimento emocional de uma criança: aos olhos de Freud e de seus sucessores, a mãe simboliza antes de tudo o amor e a ternura, e o pai, a lei e a autoridade... O pai encarna aos olhos do filho, a lei, o vigor, o ideal e o mundo exterior, enquanto a mãe simboliza a casa e a família, afetividade; ela é a introdução do fator emocional na vida de um indivíduo, enquanto o pai dá as regras e contribui para a vida em sociedade, a obediência às leis e a autoridade.

Para compreender toda a importância do pai (símbolo da lei e da interdição, e psicanaliticamente falando, da proibição do incesto), é preciso lembrar que a díade originária mãe/filho pode se tornar patogênica se passado um certo período. Por isso a importância das mães permitirem cortar novamente os cordões umbilicais, e deixarem o pai desempenhar seu papel sem interferência materna: é ele que faz a criança compreender que a mãe lhe é proibida porque pertence a um outro homem, e que, para superar a angústia de castração, ela deve se resignar à renúncia desse desejo. Vocês sabiam que somente quando a criança interioriza a lei paterna que ela passa desenvolver um “eu” autônomo e se experimentar como um sujeito independente, capaz de enfrentar o mundo exterior? Então lembre-se disse e que não criamos nossos filhos para nós! 

Mesmo com o conceito família mudado ao longo do tempo, no plano psicológico ela ainda abarca algumas funções fundamentais para a constituição psíquica do sujeito. Se hoje elas se reinventam ao surgirem como famílias monoparentais (só com a mãe, ou só com o pai), as homoparentais (pais homossexuais), dentre outras, é ambíguo dizer mas nos chama a atenção que entre a novidade e o conservadorismo, esses 'novos pais' inovam mas também tentam se encaixar dentro do “normal”.

Então como e quem desempenha essas funções parentais nessas famílias monoparentais, ou em famílias onde uma das figuras são ausentes ou inexistentes?

Para a Psicanálise, apesar das funções maternas e paternas serem distintas, complementares, e indispensáveis para o desenvolvimento psicológico do filho, ela também acredita que essas funções não precisam necessariamente reportarem-se à mãe ou ao pai, mas a qualquer pessoa (independente do sexo também) que os substituam.

Se a grande função do pai - como da mãe - é  amar, e amar é priorizar o bem-estar do outro, ou seja, cuidados materiais, educacionais, emocionais e espirituais prestados efetivamente, e se essas funções da mãe e do pai são voltadas para o desenvolvimento físico e emocional do filho, elas podem ser exercidas por figuras que os representem e os substituam, independente do sexo. Ausência não é sinônimo de fracasso, o importante é a função do plano simbólico concretizar-se no real.Se existe somente um genitor, este pode muito bem no plano psíquico, arcar com sua função originária e paralelamente contribuir para os aspectos faltantes. Uma mãe pode ser a transmissora do afeto e da “lei”, à medida que inclui o “terceiro” na relação, e da mesma forma o pai pode proceder. Conforme se aprende novas maneiras de se viver em sociedade, é necessário também que novos arranjos psicológicos sejam feitos, com base na afetividade é que mãe e pai (ou suas figuras substitutas) devem desempenhar suas funções. 

Dessa forma, uma família não deve ser medida quantitativamente e sim qualitativamente, com base nas relações afetivas entre as pessoas que compõem um núcleo familiar. Nessas novas concepções de família é provado que o amor vai muito além do tradicional 'mãe-pai-filhos'. O mais importante de tudo é essa interação de amor para com eles, e até onde eu sei, podemos dar nosso melhor, mas não podemos querer ser os melhores em tudo. 











REFERÊNCIAS:

BADINTER, Elisabeth. O mito do amor materno. São Paulo: Círculo do Livro S.A, 1980.
BRAZELTON, T.Berry. O desenvolvimento do apego: uma família em formação. Tradução Dayse Batista. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.
CAMPOS, Jacira Calasãs. Psicologia do desenvolvimento: influência da família. 2ª ed. rev e ampl. São Paulo: Edicon, 1983.
CRAMER, Bertrand, G; BRAELTON, T. Berry. As primeiras relações. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013.DOR, Joel. O pai e sua função na psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1991.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio: o dicionário da língua
portuguesa. 8ª ed. Curitiba: Positivo, 2010.
POLITY, Elizaberth; SETTON, Márcia Zalcman; COLOMBO, Sandra Fedulho (org.). Ainda existe a cadeira do papai? conversando sobre o lugar do pai na atualidade. São Paulo: Vetor, 2004
ROUDINESCO, Elisabeth. A família em desordem. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2003.
SILVEIRA, JA; FERREIRA,MOA. A formação do apego e suas implicações na construção dos vínculos futuros. disponível em: http://www.institutofamiliare.com.br/download_anexo/juline-aldane-silveira-e-maria-odete-amaral-ferreira.pdf 
WINNICOTT, Donald, W. A criança e seu mundo. 6ªed. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: LTC editora, 1982.
ZIMERMAN, David. E. Fundamentos Psicanalíticos: teoria, técnica e clínica – uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 1999.


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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Verbo indireto


Casais se desentendem, se desprezam, se abandonam; histórias lindas acabam tendo um desfecho triste para um final que deveria ser feliz; tudo por conta da falta de diálogo, que impede a possibilidade de expressarmos o que sentimos, o que pensamos, o que gostaríamos de realizar; e refiro-me não somente à vida sexual, mas aos projetos de vida, aos sonhos, à construção de um futuro bom... coisas simples, mas complicadas, principalmente o fator aprender a ouvir o outro.

Eu já vi um amor ir embora porque eu não fui humilde em pedir para ficar... outra vez porque não soube perdoar... e de novo estraguei quando fui caprichosa, insensível e egoísta, e pus tudo a perder. Não sou hipócrita a ponto de culpar todos meus ex-amores pelos términos, mas também não tenho orgulho de mim ou das minhas posturas egóicas, porque em todas elas não fui sincera com meus sentimentos nem com o outro. E não é assim que terminam a maioria dos relacionamentos? Podemos simplificar tudo, mas preferimos aprender pelo caminho da dor; queremos causar a dor no outro mas não nos damos conta que estamos sofrendo também.
Um camarada dono de uma farmácia, desabafou comigo em seu balcão, que ele rala de domingo a domingo para poder dar o conforto que a família tem, mas sofria pela esposa não compreendê-lo e só reclamar. Claro que entendo o lado dela - que é o lado de muitas esposas - mas também entendo o lado dele: os anos passam e o dinheiro não pagará nem recompensará os momentos bons que a família perdeu, mas por outro lado, não vejo parceiras abdicando de usar desenfreadamente os cartões de crédito, poupando seus parceiros de trabalharem tanto para suprir suas necessidades emocionais

Tenho um irmão que está para se casar, e ele comentou da importância em frequentar o cursinho para casais...

Já que me divorciei, fui em dois encontros para casais, da igreja batista da minha irmã, e posso afirmar que foram valorosos os ensinamentos aprendidos lá. Mas o que mais achei bonitinho na fala do irmão, é que eles aprenderam a resolver os problemas conversando: não adianta queixar com amigo, com mãe, ou outra pessoa de sua confiança. Se o problema está no (a) parceiro (a), ele (a) é o (a) único (a) que pode ajudar a resolver a questão. Por isso que é muito importante não meter a colher em brigas de marido e mulher. Se qualquer amigo se queixa da sua relação, nos tornamos empáticos e tomamos suas dores, não é mesmo? Então que tal sermos empáticos nas nossas relações? Penso que viveríamos mais leves...

Lembrem-se, toda história tem três lados/versões: o lado da esposa, o lado do esposo, e a versão verdadeira, que só vê quem está de fora ou despojado do orgulho. Nosso grande mal é que nunca olhamos o problema a partir dos olhos do outro, mas para uma relação viver em harmonia, é necessário aprender ser empáticos. Em relação ao amigo farmacêutico, pude sentir seu sofrimento pela esposa não compreendê-lo, e também por ele não ter coragem de expressar seus sentimentos (afinal, 'ela nunca ouve o lado dele mesmo'). Mas isso é muito triste, afasta o casal, e vive-se uma 'falsa harmonia' quando troca-se o dito pelo não dito. Conheço tanta gente que se cala para não viver brigando com o (a) parceiro (a)...eu mesma já estive neste papel (e para compensar minhas frustrações, quebrava objetos ou usava do verbo indireto [gastar] para expressar minha insatisfação)... mas nenhuma relação aguenta viver de meias-palavras, meias-verdades, meias-fodas… e por acaso existe a possibilidade de se viver meias-vidas?
Seja sincero com  você:  és feliz com a vida que leva? Escolheu a profissão certa e/ou o companheiro ideal?
Talvez leve tempo para encontrar respostas, ou digerí-las, mas saiba que nunca é tarde para recomeçar e escrever uma nova história. Comece usando as palavras certas para você e depois, para o outro, e então, aplique na sua vida essas três regras básicas: não prometa nada quando estiver feliz; não responda nada quando estiver irritado; não decida nada quando estiver triste. Mas trate de mudar, ou melhor, se transformar, e ser sincera (o)  através do diálogo - que é a via de mão única para ser feliz1
"Mas Tati, ser sincera (o) é difícil e doloroso, porque na maioria das vezes sempre pagamos um preço alto demais por isso".
E eu não sei? Mas lembrem-se que “não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”(Rubem Alves).
Chegou a hora de sair do casulo e passar a conjugar o verbo de forma direta e em primeira pessoa. Afinal, estamos nesta vida para sermos felizes sim!

domingo, 17 de janeiro de 2016

A Dama da Internet

Ao contrário dos “50 tons”, o livro A DAMA DA INTERNET prendeu-me a atenção principalmente por se basear em fatos corriqueiros da vida cotidiana.
No outro, claro que nos vemos em algumas situações, mas aquele cara dos sonhos de toda mulher não existe na vida real.

Peço desculpa as que adoraram, mas cá entre nós, o livro é bobo, e segundo críticos literários e editores de livros (e eu concordo com eles), o perfil do público que gostou são pessoas que não tem o hábito de ler.

Apesar da autora ter construído bem o suspense que mais pareceu um conto de fadas para adulto, ela conseguiu prender o leitor do começo ao fim: no primeiro volume ela praticamente enrolou o livro todo para falar da virgem que se apaixona pelo cafajeste; no segundo volume ela também usou as 512 páginas para falar de brinquedinhos eróticos e bolinhas tailandesas; e no terceiro, eles finalmente casam e a 'mocinha inocente' descobre os prazeres do sexo anal! Um livro bastaria, mas o público feminino pedia bis...rs


Para quem nunca praticou nada, reconheço que é um incentivo, o começo de algo novo, mas pelo que ouvi de muitas leitoras, as que se entusiasmaram são geralmente mulheres frígidas ou inibidas na cama... ou seja, só as sonhadoras, como a própria autora, que admitiu em entrevista no programa da Oprah que ela quis realizar suas fantasias no livro! Ou seja mulherada (ou devo chamar de adolescentes?): vocês ainda podem inovar na cama, mas encontrar esse príncipe jamais! Hahaha...ele NÃO EXISTE!


Já o escritor Neville D’Almeida retrata no seu livro "A dama da internet" uma história comum, de pessoas comuns, e que todos nós estamos sujeitos a vivenciar. Vai abordar temas como traição, masturbação, sites de encontros e sexo virtual. E só quem nunca o fez poderia jogar a primeira pedra!
Este livro fez-me pensar muito sobre o comportamento do ser humano (inclusive o meu) e o quanto somos julgadores, sem nos darmos conta que (já) praticamos o mesmo.. e daí? Mas apesar de ainda haver o preconceito, a mentalidade e o comportamento das pessoas estão evoluindo aos poucos (em passos bem lentos), porque ainda há quem ache que mundo virtual não é lugar seguro para conhecer alguém legal (como se nas baladas só tivesse caras legais). Discordo dessas pessoas: eu por exemplo, sou solteira, adulta, não protelo a ninguém minhas obrigações maternais, sou dona do meu corpo e sexualmente livre. Se estou a fim de conhecer alguém, que diferença me faz ser pela internet ou numa mesa de bar? Os riscos são os mesmos! 


Quando me divorciei e me atrevi a conhecer pessoas usando dessa ferramenta, ouvi coisas do tipo: "Como saber se o mesmo homem gentil e bem afeiçoado, não ´é um assassino?" ou Um cara da internet, se não for psicopata, com certeza é um homem tarado ou desesperado para casar, porque na vida real não pega nada". 
Aiai, quanto blablablá!  Meus queridos: foi-se o tempo dessa discriminação, hoje é moda, é prático, e não são mais as tiazonas como eu que estão nesse lugar: pelo fato dos jovens respirarem virtualidade, empresas investem cada vez mais em aplicativos interessantes para celular, facilitando e aproximando pessoas... e este público jovem aderiram e adoram! Muitos criticam essa nova geração, mas eu vejo diferente: se alguns ainda sofrem por não serem compreendidos, a maioria já vem com outra mentalidade despojada de pré-julgamentos; com certeza frequentarão bem menos os consultórios psicológicos e psiquiátricos, pois não sofrerão da síndrome do 'é proibido fumar'. 

(PS: Eu, entre todos os app - que quase não uso atualmente- o que mais curto é o Happn: ele cruza seus dados com quem tem o mesmo app, e toda vez que cruzo na rua com seus usuários, abre-se um canal de conversa. Aqui no interior não encontrei muitos afins, mas quando estive na capital á trabalho... AMEI cruzar dados com os executivos da Avenida Paulista kkk).

O problema não está em se relacionar pela internet, mas como se relacionar com as pessoas. Na internet é fácil, se você não gosta ou se irrita, logo bloqueia, deleta, desfaz compatibilidade... mas na vida real não é diferente, porque cada vez mais as pessoas passam por cima de sentimentos e se desfaz do outro da mesma forma! O que as pessoas precisam entender é que qualquer tipo de relacionamento é complicado, seja no mundo virtual ou fora dele. Ouço muitos reclamando, mas ninguém disposto a pagar o preço de um envolvimento amoroso...porque toda escolha tem uma renúncia, e quando você assume alguém, você abre mão de sua liberdade, e quando você rompe com alguém, você ganha sua liberdade. Qual dessas opções você prefere?
Falando em pessoas complicadas, só para provar que os garanhões não estão à caça só na internet... todos achamos que eles levam o melhor da vida, por isso acabam sendo invejados e cobiçados pelos casados ou pelos solteiros compromissados... mas na real as coisas não funcionam assim, eles também não são tão felizes quanto demonstram. Certa vez me envolvi sem compromisso com certo alguém (afinal, ambos não tínhamos tempo nem paciência para abrir espaço para uma pessoa, cultivar a relação, e coisas do tipo), e quando nos tornamos bem íntimos, ele me revelou dos problemas com a mãe, do quanto ela foi/ainda é manipuladora, estúpida e insensível. Nada falei, só fui boa ouvinte, mas no meu íntimo eu descobri porque ele fugia tanto de compromissos, afinal, se ele não pôde ser cuidado pela primeira e mais importante mulher da sua vida, como confiar nas demais? Não pude criticá-lo ou corrigí-lo porque da mesma forma que ele não confia nas mulheres, eu não confio nos homens, o único problema é que, quando nos protegermos, por ânsia ou medo de nos decepcionarmos ou sermos dispensados, nos antecipamos e dispensamos as oportunidades que a vida nos traz... isto se torna um hábito, e acabamos não nos damos conta que nos tornamos nossos maiores inimigos, adiando cada vez mais a oportunidade de sermos felizes!

Por isso, quando é para dar certo, vai dar… independente onde e como se conheceram... e se dane o resto ou o que as pessoas pensam! Concordo que é muito melhor o 'olho-no-olho', mas reconheço que a internet facilita, estreita laços, e também proporciona química e tesão mesmo sem se tocar. Por outro lado ela também nos deixa acomodados, trocamos muitas vezes a companhia dos amigos para ficar em casa na frente de uma tela, comendo, vendo filme, e conversando virtualmente com um suposto homem interessante, e deixamos de viver coisas reais e legais!

Ops, eu disse homem interessante? Este vem sendo um grande problema, porque eles estão em extinção! Eu, no mundo virtual, sou simplesmente a mesma Tati, mas infelizmente não acontece o mesmo do lado oposto: eles se apresentam lindos e perfeitos, quando não, criam perfis fakes. Quando isso me aconteceu morri de ódio por ter caído no conto do vigário, depois de tanto anos... Agora eu conto rindo, me sentindo uma burra e idiota, mas que culpa tenho se eu não tenho tempo nem saco para usar o Skype para confirmar? Simplesmente ainda acredito no ser humano e em nenhum momento achei que pudesse ser enganada! Nesta feita, quando cheguei no posto de gasolina, ele usava a mesma camisa polo verde piscina, e quando me aproximei, levei alguns minutos para reconhecer que ele só era um tanto mais baixo e mirradinho que na foto, também espinhudo, amarrotado, e falava um português  péssimo para um estudante de Direito. Claro que pus ele no devido lugar, para honrar o apelido que me faz jus (Tati Quebra-Barraco!), mas depois disso nunca mais me atrevi a conhecer ninguém, e olha que isso tem uns tantos anos...hehe.

Refletindo enquanto escrevo, de uma forma muito parecida isso também acontece na vida real: quantos príncipes e princesas vocês conhecem, se apaixonaram, e com o tempo se decepcionam porque viraram sapos e rãs? Este é o problema quando despojamos nossas projeções no outro: no desespero por ter alguém, fingimos ou não queremos ver as coisas como elas definitivamente são, mas com o tempo essas coisas vem à tona... e ainda culpamos o coitado por sermos enganadas. Infantilidade! Todos nós estamos sujeitos a sermos enganados, e não devemos culpar o outro por não termos enxergado as provas antes! Veja o lado bom: ao menos entramos na próxima relação já sabendo o que não queremos para nossas vidas. Seja ou não a partir do virtual, sempre será legal o encontro, o olho-no-olho, a descoberta, o envolvimento... mas sem pensar o que o futuro está nos reservando. Tem que deixar acontecer, sentir, viver... e se não der certo dessa vez, tentar novamente... e mais uma vez, e outra... quantas vezes forem preciso para ser feliz.

Como meu momento é outro, sou suspeita ao afirmar que jamais vocês devem entregar numa bandeja a felicidade nas mãos de alguém (depois não dá certo e vocês culpam o outro!). Aliás, jamais deveriam procurar desesperadamente por esse alguém. Primeiro precisam aprender a se amar, curtir fazer coisas por você, para você e só com você! Sim, admito que sinto saudades de quando era fácil me apaixonar, mas os anos passam, a gente amadure, e não nos iludimos com qualquer coisa que nos aparece. Sim, é isto: para eu me apaixonar novamente terá que aparecer alguém simples, que definitivamente me surpreenda, me faça rir, e me complete; mas enquanto isso não acontece vou/já estou, cuidando muito bem de mim. Talvez você devesse fazer o mesmo, e se surpreender ao reconhecer o quanto é capaz de ficar bem sem alguém.

Como dizia minha psicoterapeuta: ‘quando a gente deseja muito algo, o Universo todo conspira a nosso favor’. Então quando você estiver emocionalmente bem, as coisas acontecerão, inclusive o amor.

Mas enquanto ele não chega, claro que pode se divertir, se assim desejar. O mais importante é ser sincera com você, e aproveitar tudo que a vida lhe traz, sem julgar se é bom ou ruim É somente experiência e ponto!